No início a web era sem forma e vazia. Os sites eram basicamente texto e pouquíssimas imagens. Não havia todo o apelo visual que existe hoje.
Com o passar dos anos, os sites foram evoluindo em conteúdo, mas um item importante era negligenciado pela maioria dos (antigos) “webmasters”: a usabilidade.
Este termo, que é um neologismo para “habilidade ou facilidade de usar”, surgiu na web juntamente com a explosão de sites a partir do fim da década de 1990. Mas, na verdade, a usabilidade não é uma área exclusiva da web. Pelo contrário, está presente no nosso dia-a-dia, muito mais até do que imaginamos. E tudo o que o ser humano opera depende de usabilidade, pois é este campo de estudo que tornará amigável ou não a operação de um objeto ou navegação em um site.
Vejamos, ao chegar em casa, à noite, qual a primeira coisa que você faz? Coloca a chave na porta e a gira. Em seguida, segura a maçaneta e aperta para baixo.
Ao entrar, você procura o interruptor para acender a lâmpada.
Todos esses gestos são parte de uma série de convenções adotadas ao longo do tempo, seja de forma empírica ou porque alguma empresa redesenhou a forma como executar uma tarefa. São tarefas que você executa de forma natural e algumas delas ninguém precisou ensiná-lo a fazer.
Aumentar o volume da TV pelo controle remoto, ler os instrumentos do painel do automóvel (já reparou que quase não há texto explicando cada marcador, e ainda assim nós conseguimos entender rapidamente o que significa cada informação, até mesmo quando trocamos de veículo?), fazer uma ligação telefônica, digitar um texto (tanto numa máquina de escrever quanto no computador)...
É claro que a adaptação aos padrões convencionados leva algum tempo, até que as ações sejam feitas naturalmente. Na época em que os sistemas operacionais eram em modo texto, por exemplo, todos sabiam executar comandos dos mais variados tipos, mas quando surgiram os sistemas baseados em janelas, houve certa demora na adoção, principalmente pelo fato de não estarmos habituados com aquele então novo paradigma. Atualmente, não encontramos por aí alguém que opere um computador somente por linha de comando.
Voltando para a web, com a criação dos sites de comércio eletrônico e a migração de sistemas off-line para o ambiente online, as mesmas convenções foram sendo adotadas e tudo começou a ficar mais claro.
Hoje qualquer pessoa com um conhecimento básico de internet é capaz de executar uma busca ou até mesmo realizar uma compra numa loja virtual (o ícone do carrinho de compras é mais um bom exemplo para o que estamos falando).
Um lado menos conhecido da usabilidade é o da ergonomia na utilização dos materiais, a busca pela satisfação do usuário e o aumento do índice de metas atingidas (a mensuração das ações concluídas pelos usuários). Isso inclui a diminuição de cliques para executar uma ação, exibição de erros de forma amigável e uma interface intuitiva. E neste ponto, entra uma grande aliada à usabilidade: a Arquitetura da Informação.
Em algumas empresas especializadas existem até complexos laboratórios de usabilidade, onde cada movimento dos usuários é capturado por câmeras e posteriormente analisado, gerando informações que serão aplicadas em projetos no futuro.
No projeto para um dos clientes da Add Technologies, a Zurich Seguros, buscamos atingir vários destes objetivos, com ações simples e eficazes, como a exibição automática de calendários nos campos de data, facilitando a digitação para o usuário.
Como em todas as áreas, surgiram alguns nomes de maior destaque, como Jakob Nielsen (do site useit.com, que prega, com até certo radicalismo, a simplicidade ao extremo), o Felipe Memória (com seu livro “Design para Internet”), Steve Krug (autor de “Não me faça pensar”), entre outros.
São ótimos livros e eu recomendo a leitura para os interessados no assunto. Convido aos leitores também a postarem suas experiências nos comentários, inclusive daquelas situações onde não havia uma preocupação com a usabilidade e o resultado acabou sendo totalmente inesperado.
Uma coisa não podemos negar: é praticamente impossível vivermos sem as convenções. Imagine se, de repente, você entrasse no seu carro e os pedais do acelerador, freio e embreagem estiverem invertidos?? Confusão na certa!